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Centro de Desenvolvimento Pessoal e Profissional de Executivos

Gestão de Empresas de Petróleo, Gás e Petroquímica

Sistema integrado de gestão para a cadeia produtiva de P&G

Quimica Verde Para Indústrias Fornecedoras

Produção Limpa QUÍMICA VERDE – UM FUTURO PARA A INDÚSTRIA

         "A aceleração do processo industrial faz com que a cada dia desapareçam 10 espécies de seres vivos e 50 de espécies vegetais. O equilíbrio físico-químico da Terra, construído sutilmente durante milhões e milhões de anos, pode romper-se devido à irresponsabilidade humana. A mesma lógica que explora as classes oprime as nações periféricas e submete a Terra à pilhagem. Não são somente os pobres que gritam, grita também a Terra sob o esgotamento sistemático de seus recursos não renováveis e sob a contaminação do ar, do solo e da água. Esta situação provoca a com-paixão com o nosso lar comum, a Terra, sentida pelos povos primitivos como a Grande Mãe e Pachamama, e por eminentes cosmólogos como um superorganismo vivo, Gaia." (Leonardo Boff)

         A citação acima, retirada do livro "Princípio de Compaixão e Cuidado" de Leonardo Boff, deixa bem claro a responsabilidade que temos com as questões ambientais.

         Em 1972 ocorreu a conferência de Estocolmo sobre o meio ambiente. Este ano é tido como o ano em que o direito ambiental passou a ser reconhecido como ramo jurídico, embora diversos tratados importantes a respeito tivessem sido assinados com anterioridade e as legislações internas de diversos países tenham se ocupado com problemas ambientais, como a matéria florestal, água e outros. A Conferência de Estocolmo teve o grande mérito de haver alertado o mundo para os malefícios que a deteriorização do ecossistema poderia causar à humanidade como um todo.

         Em termos nacionais, o artigo 225, da Constituição de 1988 traz leis no que diz respeito à proteção ambiental. No seu caput lemos:

"Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações"

         No mundo todo há um consenso da necessidade de preservação do meio ambiente e em 1992 houve uma reunião no Rio de Janeiro (ECO-92) com a participação de 179 chefes de Estado neste sentido. Nesta reunião foi elaborado um documento chamado Agenda 21, onde os países se comprometiam em prezar pelo chamado desenvolvimento sustentável.

         Atualmente, entre as diversas normas internacionais de gestão (ISO), encontramos a Série ISO 14000 que se aplica à gestão ambiental.

         As atividades produtivas na área de química são normalmente de risco e potenciais causadoras de poluição, visto que trabalha com substâncias muitas vezes tóxicas e/ou inflamáveis e após um processo químico normalmente geram um “lixo tóxico” que precisa ser tratado (resíduo).

Inserida neste cenário está a Química Verde, também conhecida como Química Limpa, que é um tipo de prevenção de poluição causada por atividades na área de química. Esta estratégia visa desenvolver metodologias e/ou processos que usem e gerem a menor quantidade de materiais tóxicos e/ou inflamáveis. Neste caso, os riscos seriam minimizados, e uma vez que o processo fosse implantado, os gastos com tratamento de resíduos seriam menores.

No Brasil, a comunidade química já começa a reconhecer a filosofia da Química Verde como uma estratégia importante no que diz respeito ao problema do meio ambiente.

A filosofia da Química Verde está baseada, atualmente, nos seguintes princípios:

  • é melhor prevenir que tratar ou limpar resíduos de processos químicos depois de formados.
  • métodos sintéticos devem ser projetados para maximizar a incorporação de toda a massa dos reagentes no produto. Essa idéia introduzida por Trost é conhecida como “Economia Atômica”.
  • sempre que forem viáveis, as metodologias sintéticas devem usar e gerar substâncias menos tóxicas possíveis à vida humana e ao ambiente.
  • os produtos químicos devem ser projetados de forma a ter maior eficiência no cumprimento de seus objetivos com menor toxidez.
  • o uso de outras substâncias durante o processo (ex. solventes, agentes de separação, etc.) deve, sempre que possível, ser desnecessário ou inofensivo quando usado.
  • as exigências energéticas devem ser reconhecidas por seus impactos ambientais e econômicos e precisam ser minimizadas. Métodos sintéticos devem, sempre que possível, ser conduzidos em temperatura e pressão ambiente.
  • a matéria-prima deve ser proveniente de fontes inesgotáveis (renováveis).
  • deve-se desenhar a metodologia de modo a não precisar de derivatizações como grupos de proteção.
  • reagentes catalíticos são sempre superiores a reagentes estequiométricos.
  • os produtos químicos devem ser desenhados de maneira tal que, depois de ter sido usado, eles não persistem no ambiente e que seus produtos de degradação sejam inócuos.
  • métodos analíticos devem ser desenvolvidos para serem usados para monitorar o processo em tempo real controlando, a priori, a formação de substâncias perigosas.
  • substâncias e a forma como são usadas no processo químico devem minimizar o potencial de acidentes.

Podemos encontrar na literatura vários exemplos e estudos onde se verifica a aplicação de alguns destes princípios, tanto na academia como na industrial. Constatamos um esforço da comunidade científica mundial no desenvolvimento de novas metodologias ou no resgate das antigas que estão enquadradas dentro desta filosofia.

         Uma importante área da Química Verde está na investigação do meio reacional. Um dos principais problemas da indústria química está relacionado com a utilização de solventes orgânicos (voláteis ou não) em seus processos, já que, dependendo do solvente utilizado, sua manufatura, transporte, estoque, manuseio e descarte representam aspectos que demandam cuidado e capital. Está no âmbito da Química Verde estudar estratégias para minimizar estes problemas.

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